trabalho resulta das reflexões desenvolvidas ao longo da disciplina “A Vegetação no Conforto Ambiental”, do
Programa de Pós-graduação em Arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro que contribuíram para a
dissertação “Avaliação da qualidade sonora em salas de sarau do século XIX: Mansão Tavares Guerra e Villa
Ferreira Lage”. Visa estabelecer uma relação direta entre vegetação e o ambiente sonoro criado no entorno das
salas performáticas. Debruça-se sobre a relação entre o meio externo e no interior de salas de sarau históricas,
especificamente da Villa Ferreira Lage, Juiz de Fora, MG. O trabalho apresenta os primeiros processos analíticos
que servem de diretrizes metodológicas a futuras medições acústicas e passeios sonoros a serem aprofundados.
Estas prospecções têm por principal objetivo averiguar a factual relação entre os efeitos psicoacústicos
produzidos pelos jardins e a sensação de qualidade sonora percebida a partir de uma escuta historicamente
informada. A formulação teórica pressupõe que os parâmetros de qualidade acústica, no século XIX, eram
determinados pela potencialidade que o ambiente destinado à música tinha de promover, junto ao sítio
envolvente, um estado de fruição estética, vinculado a uma atmosfera onírica. As composições vegetais e as
superfícies aquáticas do jardim de coleções que rodeiam a Villa são responsáveis por isolar a edificação do
contexto do entorno, proporcionando um ambiente de quietude e de “sensações sublimadas” que decorrem da
atenuação dos ruídos ambientais e do reforço às sonoridades que emergem dos jardins ao atraírem a avifauna e
pequenos mamíferos e criarem uma musicalidade única associada aos ventos e às chuvas, como o diferente
farfalhar das folhas e o tamborilar das águas.